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RELAÇÃO ENTRE POVO E PODER MOBILIZA DEBATES DO PRIMEIRO
DIA DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES, EM SP

 

David Harvey, Lúcio Gregori e Tales Ab’Saber foram alguns dos conferencistas
que abordaram o tema sob diferentes aspectos históricos e urbanos

O Seminário Internacional Cidades Rebeldes teve início nesta terça-feira (9), no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O primeiro dia do evento, que marca os 20 anos da Boitempo Editorial e é realizado em parceria com o Sesc São Paulo, contou com duas conferências e a primeira parte do curso de introdução à obra do geógrafo britânico David Harvey.


Diante da presença maciça dos participantes inscritos – cerca de 1000 pessoas lotaram o Teatro Paulo Autran –, porta-vozes do Sesc e da Boitempo abriram a programação, citando a importância do seminário e das ações desenvolvidas por ambos para que o espaço urbano se torne cada vez mais um espaço de coexistência.

 

Sérgio Batistelli, coordenador de planejamento do Sesc São Paulo, frisou que a instituição defende que o direito à cidade passa pelo respeito e ocupação dos espaços públicos. Já Ivana Jinkings, diretora da Boitempo Editorial, ressaltou a importância em se discutir a cidade como obra humana, reunindo ativistas e especialistas para discuti-la de forma igualitária para todos.


A arquiteta e urbanista Raquel Rolnik deu início ao curso dedicado à obra de Harvey comentando A construção de uma visão marxista do espaço urbano. Sua visão foi completada pelo próprio, ao retratar os primórdios de sua relação com o pensamento de Marx para iniciar a conferência O direito à cidade. Ao seu lado estavam a geógrafa Amélia Damiani e o engenheiro Lúcio Gregori, sob mediação do professor de literatura brasileira Flávio Aguiar.

 

Harvey, hoje aos 79 anos, lembrou que começou a ler O Capital quando tinha aproximadamente 35 anos. E que precisou de várias leituras para começar a assimilar a teoria do filósofo alemão. Ainda mais preciso nas datas, acrescentou que tudo ocorreu em 1968, na esteira de um levante urbano ocorrido em Baltimore, nos EUA, logo após a morte de Martin Luther King.

 

O geógrafo avançou no tempo ao traçar um paralelo global com as manifestações de junho de 2013. “As manifestações que ocorreram por aqui também ocorreram na Turquia. E temos visto problemas em diversas cidades com a população insatisfeita com o espaço urbano”.


No painel seguinte, Revoltas e conciliação na história do Brasil, mediado por Mário Sérgio Conti, o historiador ítalo-brasileiro José Luiz Del Roio criticou a falta de memória do país. “Não existe uma grande nação se não existir uma memória reconhecida pelo país. A nossa baseia-se no homem branco e com poder, mas o IBGE aponta que chegamos a 51% de negros. Ou seja, somos o segundo país com mais negros e isso não existe na nossa memória”, criticou. Em sua concepção, não há história sem memória e, sem história, uma nação não sabe se organizar, nem lutar.


As duas últimas intervenções da noite foram do psicanalista e ensaísta Tales Ab’Saber e do sociólogo Ricardo Antunes. Ab’Saber pautou seu discurso na questão das decisões políticas que não levam em conta o cunho social, citando como exemplo a situação do Elevado Costa e Silva, o Minhocão:

 

“A relação do Estado com a população é de extremo poder. Não foi um contrato geral que constituiu o Brasil, mas uma posição de poder. São Paulo foi a cidade que mais sofreu com a ditadura militar. Já na época em que o Minhocão foi construído, ele foi visto como um erro. Não houve um estudo, não tinha nenhum sentido na melhora urbana. Foi apenas uma decisão militar em meio a uma área urbana que tinha intensa vida cultural”, analisou.


CRISES DO CAPITALISMO E LUTA DE CLASSES PAUTAM DEBATES
DURANTE O SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES, EM SP

 

Segundo dia do evento trouxe a visão de especialistas como Moishe Postone

e Domenico Losurdo e relatos de ativistas como Guilherme Boulos e Ferrèz.

 

O Seminário Internacional Cidades Rebeldes teve sequência no Sesc Pinheiros nesta quarta-feira (10) novamente com grande presença do público, que ocupou quase todos os mil lugares do Teatro Paulo Autran. Parceria entre a Boitempo Editorial e o Sesc São Paulo, o evento também é transmitido ao vivo pelo site e disponibilizado em vídeo no canal da Boitempo Editorial no Youtube.


A programação se iniciou com a segunda aula do curso de introdução à obra de David Harvey, desta vez conduzida pelo economista Marcio Pochmann: Para entender as crises do capitalismo. Tomando como base o discurso de Harvey, pautado pela teoria marxista, ele afirmou que a principal diferença entre as crises do fim do século XIX e de 1929 em relação a de 2008, é a falta de estudos recentes.  

A presença do historiador canadense Moishe Postone trouxe mais considerações a respeito do atual sistema: “As análises críticas do capitalismo precisam estar sempre sob nosso enfoque, para criar mudanças estruturais. Quando Marx teorizou a respeito do valor não se referia a trabalho ou riqueza da sociedade, mas sim uma constituição de riqueza”, disse. 

Postone criticou os pensadores do capitalismo e sua convicção de que a ideia de socialismo e produção industrial oferecendo empregabilidade completa é um erro. “A revolução tem que ser inspirada no futuro e não no passado”, argumentou.


A mesa seguinte, com mediação do sociólogo Sérgio Amadeu, teve como tema Cidade pra quem? Ganhar e perder a vida na periferia da periferia da capital. Permeada por opiniões bastante contundentes, a conferência foi aberta pela socióloga Vera Telles, que abordou a atuação policial na área urbana, especialmente na periferia.


Em seguida a palavra coube ao coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, que lembrou o histórico das periferias na busca por mudanças. “A indústria no século 19 funcionava como um espaço de exploração, segregação e negação de direitos, mas também era um espaço de rebeldia. Foi com os trabalhadores reunidos ali e passando por aquilo juntos que surgiu o movimento dos operários e sindicatos”, lembrou, para em seguida projetar o mesmo cenário na formação das cidades. 


EM DEBATES ACIRRADOS, SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES
REBELDES DISCUTE SEGREGAÇÃO, MEGAEVENTOS E AÇÃO POLICIAL  

 

Temas de grande repercussão popular motivaram intervenções contundentes de
Christian Dunker, Maringoni, Luís Fernandes e Sílvio Luiz de Almeida, entre outros

 

Parceria entre a Boitempo Editorial e o Sesc São Paulo, o Seminário Internacional Cidades Rebeldes teve um dia de conferências bastante movimentadas nesta quinta-feira (11), no Sesc Pinheiros. Transmitido ao vivo pelos sites oficial e do Sesc, o evento também  disponibiliza todas as atividades em vídeo no canal da Boitempo no Youtube.


A arquiteta Mariana Fix e a economista Leda Paulani abriram a programação com a terceira aula do curso de introdução à obra do geógrafo britânico David Harvey. Novamente diante de uma plateia lotada no teatro da unidade – com aproximadamente mil pessoas –, elas discorreram sobre a relação entre o capitalismo e o processo urbano a de acordo com as necessidades sociais.

 

A partir do tema A cidade global e os limites do capital, Mariana defendeu que as cidades devem oferecer muito mais do que o direito de um grupo a benefícios, mas também o direito de ser mudada de acordo com os mais profundos desejos da população, pensamento que permeia a obra homônima de Harvey.

 

Leda complementou: “A paisagem urbana tem identidade própria. Ela não é testemunha do capitalismo, pois tem sua própria lógica. O ambiente urbano é da relação social por excelência. E é nesse espaço que as trocas devem acontecer”, disse.


Nacionalismo, identidade nacional e segregacionismo foi o tema da conferência a seguir, mediada pelo jornalista Matheus Pichonelli e com participações do pesquisador Jessé Souza, do cartunista Gilberto Maringoni e do psicanalista Christian Dunker.

 

O conceito de nação e a forma como a sociedade se reconhece entre si mobilizou a discussão, lembrando a cultura do “jeitinho brasileiro” e contrapondo a imagem de um país miscigenado à realidade segregacionista, muitas vezes motivadas por decisões em âmbito econômico.


ÚLTIMO DIA DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES
DISCUTE FUTURO E SOBREVIVÊNCIA NOS GRANDES ESPAÇOS URBANOS

 

Nomes como David Harvey, Fernando Haddad, Jean Wyllis, Nabil Bonduki debateram
questões fundamentais como preconceito, reforma urbana e crise hídrica

 

Terminou na última sexta-feira (12) o Seminário Internacional Cidades Rebeldes, parceria entre a Boitempo Editorial e o Sesc São Paulo, que reuniu durante quatro dias mais de 40 debatedores – entre especialistas e ativistas – para discutir o presente e o futuro das cidades como palco de disputas políticas, ideológicas e sociais. 

 

Mais de 17 mil pessoas acompanharam as conferências, presencialmente e pelos sites oficiais do evento e do Sesc. Todas ainda podem ser assistidas na íntegra pelo canal da Boitempo no Youtube.

 

A arquiteta e urbanista Ermínia Maricato iniciou os trabalhos da sexta-feira com a última aula do curso de introdução à obra do geógrafo britânico David Harvey. Em O direito à cidade e as cidades rebeldes, ela procurou contrapor os direitos que os cidadãos não possuem e querem.

 

“Para alguns o espaço urbano é fonte de livro, para outros é questão de sobrevivência. E neste caso há um antagonismo em relação ao que ao capitalismo quer para a cidade”, comentou. Com base neste cenário ela compartilhou suas impressões sobre a crise que gerou os protestos de junho de 2013 no Brasil.

 

“A crise começou na agenda neoliberal da década de 80, ainda em tempos de ditadura. Houve cortes nos espaços públicos e em seguida as privatizações. Em junho de 2013, nós tivemos um aumento de participação política, pois a história não começa quando a gente nasce, mas antes. Herdamos o nosso passado e devemos lutar pelo futuro”, concluiu.

 

A conferência seguinte, Que cidade queremos? Apontamentos para o futuro da cidade, teve a mediação do jornalista Leonardo Sakamoto. Mobilidade urbana, preconceito e políticas públicas estiveram entre os principais temas colocados em discussão.

 

O deputado federal Jean Wyllis abriu suas considerações afirmando que não há espaço para gays, lésbicas e transexuais nas cidades. Em sua análise, a maioria conquista a independência financeira muito cedo para buscar a liberdade e romper com a família, com isso, acabam sendo segregados. “Os espaços gays devem ser frequentados por héteros sem conflitos e vice-versa. Devemos expressar nosso afeto em qualquer espaço e não só na Praça Roosevelt”, sentenciou.

 

Já para a psicóloga Maria Rita Kehl, outra característica desfavorável que ganha força nos espaços urbanos é a difusão de um modo depressivo de vida, pois os cidadãos não se sentem mais agentes de transformação do seu entorno.

 

Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki concentrou sua fala na questão da infraestrutura. “Estamos pensando a cidade de um jeito diferente de como ela foi, pois sua construção ocorreu de forma inviável, principalmente pela desigualdade social. São Paulo foi erguida para quem tem carro se virar e quem não tem andar a pé”, afirmou. A solução, em sua análise, é uma reforma urbana para que todos possam ter acesso aos benefícios que a cidade oferece.

 

O escritor Paulo Lins foi contundente ao apontar a polícia como um dos principais problemas do cotidiano urbano. Em sua opinião, a atuação dos policiais é repressora, especialmente em relação aos negros. “Não falo que o problema é a polícia pelos bandidos, mas porque sou negro. Em qualquer lugar que você ande, você é negro e está marcado para morrer”, disse.

 

Finalizando a conferência, Ermínia Maricato retornou para fazer uma reflexão: “Temos que acabar com o analfabetismo urbano, porque entender o capital da cidade é compreender a repressão da polícia, a discriminação com o LGBTs e negros e uma série de outros fatores”.

 

Crise hídrica

Bem-vindos ao deserto do capital: crise hídrica, meio ambiente e capitalismo foi o tema do encontro seguinte, mediado pelo jornalista e fotógrafo Bruno Torturra. A abertura coube ao arquiteto Alexandre Delijaicov, que apontou a falta de comprometimento das cidades com o meio ambiente como sua principal causa. Para justificar seu argumento, lembrou que o espaço da água tem sido massacrado desde que ela se transformou em mercadoria e espaço privado. “Precisamos reconhecer que a crise hídrica mostra a fragilidade do Brasil e é fruto de uma mentalidade política e social, não de infraestrutura”, defendeu.


Delijaicov sugeriu uma “reforma mental” para amenizar a situação precária atual e o argumento serviu de base para a historiadora Virgínia Fontes formular sua visão acerca do tema. Basicamente, ela mostrou a importância da luta e da adesão a movimentos sociais para reivindicar o direito à cidade. “As rebeliões precisam acontecer. Temos que manter a luta. O enfrentamento da crise hídrica não se resolve com Lexotan ou Rivotril, mas sim enfrentando e superando uma sociedade capitalista que nos reduz ao capital”, ironizou.

Completando este painel, a cientista social Camila Moreno apresentou informações baseadas em artigos e pesquisas para defender o reconhecimento da cidade e do outro no cotidiano urbano. “O desafio de pensar a cidade rebelde é pensar o que é o outro e quem é esse outro. Pensar nas estruturas urbanas só faz sentido se pensarmos no que ela faz e pode fazer pelo outro”, afirmou.

 

Cidade moderna

A última conferência do Seminário trouxe David Harvey de volta ao centro do debate, desta vez ao lado do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do arquiteto Guilherme Wisnik e do escritor e professor Flávio Aguiar como mediador.


O tema Da Primavera dos Povos às cidades rebeldes: para pensar a cidade moderna foi abordado inicialmente por Harvey. Ele defendeu que um projeto político hoje precisa se preparar para interromper o poderio do capital sobre o processo urbano. Para isso, afirmou que é preciso entender como seu acúmulo funciona hoje nas cidades: não só no processo básico da produção, mas também por meio da especulação imobiliária e serviços.

 

“A única forma de acabar com isso é desenvolver movimentos sociais com uma visão coerente e uma abordagem revolucionária em relação à urbanização, cientes de que ali vão acontecer os conflitos futuros. É neste contexto que precisamos encontrar uma política anticapitalista”, concluiu.

 

Fernando Haddad endossou o ponto de vista de Harvey, mas ressaltou que o papel do Estado diante das transformações desejáveis, bem como seus reais limites de interação, ainda não possuem conceitos sólidos.

 

“Em minha opinião é muito difícil vislumbrar uma perspectiva mais radical de transformação. Podemos ter períodos de maior avanço democrático, melhores oportunidades de educação, saúde e geração de emprego, mas algo totalizante que suplante a ordem vigente e dê alguma segurança aos trabalhadores de que existe um projeto que vale a pena, é algo que ainda está na ordem do dia”, refletiu.

 

Haddad declarou-se ainda motivado pelo debate proposto por Harvey, afirmando que sua riqueza conceitual crítica pode ser o ponto de partida para o início de “uma nova teoria da revolução”.

 

Finalizando a conferência, Guilherme Wisnik lembrou grandes obras de urbanização que costumam resgatar o capitalismo ao longo da história. A começar pela reviravolta vivida por Paris em meados do século XIX, quando ao invés de uma esperada revolução social, viveu uma reação autoritária do poder, que preservou o sistema através de grandes obras de urbanização. O episódio é relatado em detalhes na obra Paris, capital da modernidade, de Harvey, lançada pela Boitempo durante o seminário.

 

Traçando um paralelo com a atualidade brasileira e a sociedade de consumo capitalista, Wisnik citou o processo de urbanização, especialmente no eixo Rio – São Paulo, para contextualizar uma tendência global de obsolescência do próprio território urbano.

 

“De alguma maneira o planeta está obsoleto e sendo alvo de uma destruição e construção permanente e quase por inteiro. E assim eventos de grande apelo midiático, inclusive de natureza esportiva, têm se tornado essencialmente imobiliários”. Para ilustrar, lembrou que em 1986 o México sofreu um terremoto meses antes do início de sua Copa do Mundo, mas conseguiu realiza-la sem maiores investimentos. “Hoje a Copa gera um aparato imenso e uma necessidade de obras gigantescas que só alimentam esse sistema predatório de especulação”, concluiu.

O Seminário Internacional seguiu com a mesa Megaeventos esportivos e megaprojetos em cidades à venda, pautada principalmente por um acirrado debate em relação à realização da Copa do Mundo do Brasil. A mediação coube ao jornalista Renato Rovai.

 

“O megaevento é um capitalismo concentrado, o que é útil para entendermos a sociedade em que vivemos. O Estado se une ao capital para dar à população a esperança de que a sociedade é melhor do que parecer”, sentenciou o jurista Jorge Luiz Souto Maior, logo na abertura de sua fala.

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